Tecnologia

O que é algoritmo? Entenda com exemplos simples

Veja como organizar uma tarefa em passos claros, incluir decisões e testar uma solução antes de escrever código.

Antes de sair de casa, você pode olhar pela janela para ver se está chovendo. Se estiver, pega o guarda-chuva; se não estiver, segue sem ele. Perceba que existe uma informação a observar, uma decisão a tomar e uma ação no final. Esse raciocínio simples do dia a dia ajuda a entender o que é um algoritmo sem precisar começar por uma tela cheia de código.

Na programação, a ideia é parecida. Você organiza os passos de uma tarefa para indicar ao computador o que ele deve fazer em cada situação. No início, nem é preciso conhecer os comandos de uma linguagem: você pode descrever esses passos com palavras comuns, testar o raciocínio no papel e, depois, transformá-lo em código.

O que é algoritmo, afinal?

Um algoritmo é um conjunto de instruções organizadas para realizar uma tarefa ou resolver um problema. Em outras palavras, ele descreve o que precisa acontecer, passo a passo, até chegar a um resultado.

Pense em objetivos pequenos: calcular o preço de uma compra, encontrar um nome em uma lista ou descobrir qual de dois números é maior. Em cada caso, existe uma sequência de ações e, às vezes, decisões que precisam ser tomadas pelo caminho.

É justamente isso que o algoritmo organiza.

Ele pode ser escrito com palavras comuns, representado em um desenho com etapas ou descrito de uma forma parecida com código. A apresentação muda, mas a ideia continua a mesma: transformar um objetivo em instruções claras o suficiente para serem seguidas.

Um exemplo de algoritmo no dia a dia

Volte ao exemplo do guarda-chuva. Vamos adotar uma regra simples: você só vai levá-lo se estiver chovendo no momento em que sair de casa.

Os passos poderiam ser:

  1. Olhar pela janela.
  2. Verificar se está chovendo.
  3. Se estiver chovendo, pegar o guarda-chuva.
  4. Se não estiver chovendo, deixar o guarda-chuva em casa.
  5. Sair de casa.

Perceba o que aconteceu no meio do caminho: uma informação foi verificada e, dependendo da resposta, a ação mudou.

Ainda assim, os dois caminhos terminam com você saindo de casa.

Agora imagine que a única instrução fosse “prepare-se para sair”. Ela pode fazer sentido para uma pessoa, mas é ampla demais para mostrar exatamente quais ações devem ser realizadas.

Quando você separa uma tarefa em etapas menores, fica mais fácil perceber se alguma informação ou algum passo está faltando.

Esse exemplo cotidiano ajuda a visualizar a ideia de algoritmo. Em um programa de verdade, ainda seria necessário definir como o computador receberia a informação sobre a chuva e o que deveria fazer com ela.

Como o algoritmo aparece na programação

Agora vamos aproximar esse raciocínio da programação.

Imagine uma loja fictícia que oferece 10% de desconto em compras a partir de R$ 100. Se o valor for menor, não há desconto.

Antes de continuar, pense por alguns segundos: o que o programa precisaria saber para calcular o valor final?

Primeiro, ele precisa receber o valor da compra. Depois, precisa verificar se esse valor atende à regra do desconto.

Uma possível sequência seria:

  1. Receber o valor da compra.
  2. Verificar se ele é maior ou igual a R$ 100.
  3. Se for, calcular 10% desse valor e subtrair o desconto.
  4. Se não for, manter o valor original.
  5. Mostrar o total a pagar.

Aqui aparecem duas ideias importantes.

O valor da compra é a entrada, ou seja, a informação recebida pelo algoritmo.

O total a pagar é a saída, isto é, a resposta produzida depois que as instruções são executadas.

Entre a entrada e a saída está o processamento: as etapas que verificam a regra e calculam o resultado.

Você também pode representar esse raciocínio usando pseudocódigo. Ele permite descrever uma solução de maneira próxima da programação, mas sem depender dos comandos exatos de uma linguagem:

Receba o valor da compra
Se o valor for maior ou igual a 100:
    Total a pagar = valor da compra menos 10% do valor da compra
Caso contrário:
    Total a pagar = valor da compra
Mostre o total a pagar

Esse trecho serve para explicar a lógica da solução. Para que o computador consiga executá-lo, seria necessário adaptá-lo aos comandos de uma linguagem de programação.

Também não existe uma única maneira obrigatória de escrever pseudocódigo. O mais importante, neste momento, é que os passos sejam claros e façam sentido.

Algoritmo, lógica e código: como as ideias se conectam

No exemplo do desconto, você precisou decidir qual informação receber, quando aplicar uma regra e como chegar ao resultado.

Organizar esse raciocínio faz parte da lógica de programação.

O algoritmo registra os passos usados para resolver o problema.

O código transforma esses passos em comandos que uma linguagem, como Python ou JavaScript, consegue executar.

Isso significa que a mesma lógica pode virar códigos diferentes dependendo da linguagem escolhida.

Existe ainda outro detalhe importante. Imagine a pergunta:

“Uma compra de exatamente R$ 100 recebe desconto?”

Saber escrever um comando não resolve essa dúvida sozinho. Primeiro, você precisa entender a regra do problema.

Neste exemplo, a resposta é sim, porque “a partir de R$ 100” inclui o próprio valor de R$ 100.

Essa interpretação vem antes do código.

Passos em ordem, decisões e repetições

Até aqui, você já encontrou duas ideias muito comuns na programação: executar ações em uma ordem e escolher entre caminhos diferentes.

Existe ainda uma terceira: repetir uma ação.

Essas três ideias aparecem constantemente em algoritmos:

  • Sequência: executar ações em determinada ordem. No exemplo do desconto, o programa precisa receber o valor antes de calcular o resultado.
  • Condição: escolher o que fazer conforme uma regra. Uma compra de R$ 100 ou mais recebe desconto; uma compra abaixo desse valor segue outro caminho.
  • Repetição: realizar uma mesma ação várias vezes. Para somar os preços de uma lista de produtos, por exemplo, você pode repetir a soma para cada item.

Repetir, porém, não significa repetir para sempre.

O algoritmo também precisa saber quando parar.

No exemplo da lista de produtos, a soma termina depois que o último item é processado. Se esse limite não estiver definido corretamente, o programa pode continuar executando uma tarefa sem chegar ao resultado esperado.

Como conferir se os passos funcionam

Escrever os passos é apenas uma parte do trabalho. Depois, vale testar se eles realmente produzem as respostas esperadas.

Vamos continuar com a loja.

  • Uma compra de R$ 80 deve continuar custando R$ 80.
  • Uma compra de R$ 100 deve passar a custar R$ 90.
  • Uma compra de R$ 150 deve passar a custar R$ 135.

Observe que R$ 100 merece uma atenção especial.

Esse valor está exatamente no limite da regra. Por isso, ele ajuda a descobrir um erro que poderia passar despercebido.

Se o algoritmo tiver sido escrito para aplicar o desconto apenas quando o valor for “maior que 100”, uma compra de exatamente R$ 100 seguirá pelo caminho errado.

A regra correta, neste caso, é “maior ou igual a 100”.

Esse tipo de teste ajuda você a conferir não apenas se o algoritmo funciona, mas também se ele funciona nos pontos em que uma decisão muda de caminho.

No começo, testar poucos casos costuma ser suficiente para enxergar erros com mais facilidade. Conforme os problemas ficam mais complexos, também será necessário pensar no que acontece quando uma informação está ausente, inválida ou fora do esperado.

Um exercício para praticar no papel

Agora é sua vez.

Escreva um algoritmo que receba dois números e informe qual deles é maior. Se forem iguais, a resposta deve informar a igualdade.

Antes de abrir a solução, tente escrever os passos com suas próprias palavras. Não se preocupe com uma linguagem de programação ainda. O objetivo é organizar o raciocínio.

Ver uma solução possível
  1. Receber o primeiro e o segundo número.
  2. Se o primeiro for maior que o segundo, mostrar o primeiro.
  3. Caso contrário, se o segundo for maior que o primeiro, mostrar o segundo.
  4. Se nenhum for maior, informar que os números são iguais.

Depois, teste sua solução com estes pares:

  • 8 e 3
  • 3 e 8
  • 5 e 5

Nos dois primeiros testes, a resposta deve ser 8. No último, o algoritmo deve informar que os números são iguais.

Se sua solução funcionar quando o primeiro número for maior, mas falhar quando a ordem for invertida, isso mostra que ainda existe um caminho que precisa ser tratado.

Continue praticando lógica de programação

Você não precisa começar decorando dezenas de comandos.

Escolha uma tarefa pequena, descreva os passos, pense nas decisões que podem aparecer e teste diferentes respostas. Esse exercício ajuda a desenvolver o raciocínio que depois será transformado em código.

Conforme você pratica com problemas diferentes, ideias como sequência, condição, entrada e saída começam a aparecer com mais naturalidade.

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Pesquisa revisada em 6 de outubro de 2026.

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